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TEATRO
Tragicomédia Fogo Cruel em Lua de Mel reestreia em SP 
A tragicomédia Fogo Cruel em Lua de Mel, da Cia. Fé Cênica, reestreia hoje, feriado de Corpus Christi, em São Paulo. Neste momento de reflexão da fé católica, o texto do autor Nazareno Tourinho, imortal da Academia Paraense de Letras, também leva o espectador a refletir sobre a fé, a existência e a forma como cada um conduz sua vida.
O ponto de partida da peça é a cena mais inusitada possível: um casal que, em plena noite de núpcias, encontra-se preso no quarto de um hotel em chamas. O incêndio expõe claramente as diferenças de Gil e Elza. Ele é um poeta boêmio e ateu, ela é uma assistente social extremamente religiosa.
É a partir daí que as discussões sobre fé e valores entram em cena. “O fogo leva as personagens para uma situação limite que garante a comicidade da obra de Nazareno Tourinho. O texto faz rir e chorar, diverte e ao mesmo tempo provoca uma reflexão sobre questões existenciais”, explica o ator e diretor de teatro Claudio Marinho, responsável pela montagem da peça.
O final, assegura ele, é surpreendente. Abaixo, os principais trechos da entrevista de Marinho concedida a mim e publicada pelo portal VoIT (http://voit.uol.com.br/?p=blogInterna&id=1642):
Qual a temática de Fogo Cruel em Lua de Mel? Claudio Marinho - A peça não faz apologia à religião, aos valores morais e nem a qualquer padrão de comportamento. Mas mostra que as pessoas são diferentes, têm sonhos e opiniões diversas. O texto propõe um conflito entre as personagens. Ele é ateu. Ela é religiosa. Ele é boêmio e ela recatada demais. Com muito humor a peça mostra estes conflitos. Este é só o ponto de partida. O interessante é que, no meio do conflito, os personagens percebem que o hotel encontra-se em chamas.
Acredita que um casal tão diferente assim poderia dar certo na vida real? Marinho - Não sei se na vida real é possível conciliar tantas diferenças. Talvez sim, afinal o mundo é cheio de possibilidades. Quanto aos personagens, o mais interessante é que, mesmo depois de uma "transformação", eles continuam divergentes. Elza e Gil são capazes de mudar de idéia e quando isto acontece, ficam novamente em lados opostos. Por isso são personagens tão desafiadores para os atores Noedja Bacic e Geraldo Machado, que conseguem expressar este conflito, que está na essência do teatro. O final propõe um desenrolar muito claro da história. Mas cada personagem sustentando o seu ponto de vista. Qual o público alvo da peça? Marinho - A peça já foi apresentada para um público bem heterogêneo: jovens e adultos, pessoas com maior ou menor poder aquisitivo, pessoas que estudaram pouco e também pessoas com nível intelectual bem avançado. O que percebemos é que atinge ao público de maneira ampla porque usamos uma linguagem simples, clara, sem pretensão de fazer uma montagem "intelectualóide".
Então a peça também diverte...
Marinho - Queremos fazer entretenimento, sim. Mas ao mesmo tempo destacamos na montagem o conteúdo existencialista: "Eu vou morrer. E agora? Eu acredito em algo? Eu sonho com algo? O que fiz da minha vida? O que eu faria se continuasse vivendo?". O público normalmente se diverte e ri muito, mas sai pensando nestas coisas.
SERVIÇO: Fogo Cruel em Lua de Mel Em cartaz até 16 de julho, toda quinta, às 21h, no Teatro Commune (Rua da Consolação, 1218, SP, 11-3807.0792). Preço: R$ 20,00. Capacidade: 83 lugares. Classificação etária: 12 anos. Duração: 50 minutos. Bilheteria funciona de quarta-feira a domingo, das 16h30 às 22h. Aceita cheque, mas não cartões de crédito. Estacionamento ao lado por R$ 10,00 (fixo).
Escrito por Françoise Terzian às 14h10
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