|
Blog da Fran - A vida pelos meus olhos VELHO MUNDO III RIO DOURO: a grande estrela da cidade do Porto Eu nunca havia pisado em Portugal. As boas-vindas ao aterrissar na cidade do Porto não foram das melhores. De cara, o taxista português mal-humorado foi logo avisando: tem muitas malas aí. não vão caber todas no meu porta-malas. Eu olhava para o porta-malas e pensava comigo "Cristo, como pode trabalhar no aeroporto e ter um porta-malas tão pequeno!". Virei para o taxista e disse: "meu senhor, obrigada, mas acho melhor esperarmos outro táxi, pois realmente vai ser difícil caber tudo no seu carro." A resposta veio atravessada: "não é o meu táxi que é pequeno. vocês é que trouxeram malas demais. Deveriam ter deixado essas malas no seu país." Foi com esta calorosa recepção que iniciei minha estadia na segunda maior cidade dos nossos colonizadores. Esta foi apenas a primeira grosseria que ouvi em meus quatro dias de Porto. Para não ser injusta, é preciso dizer que Porto é uma cidade simpática, bonita numa vista panorâmica (porque no detalhe a maior parte de suas construções encontra-se em ruínas) e cheia de vielas e becos para se descobrir em uma tarde descompromissada de horário e rumo. A cidade tem muita fé incrustada em sua história. Uma infinidade de igrejas surge a cada 10 passos. Em uma só foto que registrei foi possível capturar CINCO igrejas no mesmo enquadramento. Um lugar obrigatório para conhecer é o Museu do Vinho do Porto, ponto de partida para entender como a cidade nasceu e se construiu ao longo do tempo. Por meio de textos, fotos, objetos e mapas você passa a entender sua arquitetura, seu comércio, a burguesia, as roupas usadas na época e a ascensão da bebida adocicada. Há, hoje, mais de 200 tipos de vinhos do Porto e uma infinidade de doces que quase nada têm a ver com os que conhecemos por aqui. Entre as marcas mais conhecidas estão a Calém e a Sandeman. O coração da cidade é o Rio Douro, lindo, vasto, imponente. Boa parte da vida gastronômica, cultural e histórica de Porto acontece nas proximidades do rio. Bom, mas é chegada a hora de falar do bacalhau. Infelizmente, eu fiquei extremamente decepcionada com o que comi. Só para não dar uma de chata, experimentei o prato em três lugares diferentes e nenhum chegou aos pés daquele que a minha mãe prepara há anos ou do servido no restaurante Antiquarius, de São Paulo. Para começar, o bacalhau não era de primeira. Em nenhum restaurante que fui serviram a peça graúda, com lombo suculento. Até aí tudo bem, porque quanto mais graúdo mais caro é. O pior, no entanto, não foi só o bacalhau de quinta categoria. Seu preparo também deixou muito a desejar. Falta tempero ao bacalhau de Porto - pimenta do reino, que lá você encontra a branca e não a preta nas mesas, sal e azeite andaram deficientes em todos os pratos que comi. O bacalhau chega à mesa com cara de anêmico, sem muito sabor e sem um aroma sedutor. Ou seja, se quiser comer bacalhau, coma no Brasil! Em um dos três restaurantes que fui ele estava mais saboroso, mas não perfeito. Em um segundo meia-boca e num terceiro fui enganada - no meu prato veio o rabo do bacalhau e não o lombo. Detalhe: uma outra pessoa da mesa pediu o mesmo prato e ganhou o lombo. Sem pedir nada de diferente. Não adiantou eu reclamar, argumentar e esbravejar. O português falou que em Portugal se come o rabo do bacalhau e ponto. Eu retruquei dizendo que, no Brasil, nem ao cachorro um restaurante serviria o tal rabo. Avisei-o que, da próxima vez, ele coloque no cardápio: rabo do bacalhau a 12 euros, lombo a 25 euros, etc e tal. Como eu paguei e não comi o resto que me foi servido, pedi mais uma fatia de pão como almoço. Ainda cobraram dois couverts - isso pq eu só pedi mais um pedaço de pão. Fiquei imaginando que comer bacalhau em Porto é questão de sorte. Você precisa rezar na mesa, nos momentos que antecedem a chegada do prato, e pedir para ser agraciado com a melhor parte do bacalhau. Caso contrário, será o azarão por receber o rabo! Apesar de a brasileira aqui ter sido enganada (e justamente num país do meu idioma!), eu recomendo visitas a Porto. A cidade é uma graça e a jornalista Adriana Couto, da TV Cultura, lembra que a noite de Porto fervilha. Ela visitou a casa noturna Plano B, com vários ambientes e sons e adorou. Visitem, mas olho vivo no bacalhau! A bandeira de Portugal em cada canto de Porto
O Rio Douro e as embarcações de vinho. O Vinho do Porto não é produzido na cidade do Porto, mas no norte da região. O que fica em Porto mesmo é o armazenamento de suas caves, responsáveis pelo envelhecimento da bebida.
O que é arte, o que é realidade?
Eu com a equipe da TV Cultura, que estava fazendo reportagem em Porto. Edgar Luchetti (o conhecido Edgaldooooo) e Adriana Couto.
Caminhada prazerosa às margens do Rio Douro. Andamos praticamente em toda extensão do rio.
Muito prazeroso caminhar por todo Rio Douro. Do lado direito a natureza, do que esquerdo as construções antigas dos portugueses.
Uma das pontes que cortam o Rio Douro, vista de baixo.
Os bondinhos ainda circulam pelo Porto, dando um charme especial à cidade.
Flagrei o dia mais importante na vida desta portuguesa...
O trecho mais famoso de Porto!
Que caminho seguir?
Já sei! Vou seguí-la! Ela me deixou chegar bem perto. hehehe
Em processo de construção. Ou seria de desconstrução?
Olha só que bonito! Arteeeeee representando a cultural local. Adooooro.
Rápido passeio pelas caves da Sandeman, com direito a degustação de vinho do Porto no final. Ingresso: 3,50 euros por 10 minutos de visitação. Eles informam que dura meia hora, mas só dura 10 minutos, com vídeo e uma breve explicação sobre a bebida. Ensinaram que vinho do Porto branco deve ser tomado antes das refeições e o tinto após, podendo ser harmonizado com a sobremesa.
Livraria Lello, uma das mais antigas do Porto. É bonita por fora...
... e linda por dentro. Essas escadas são uma verdadeira obra de arte!
Em frente à Igreja de São Francisco de Assis. Linda e em reformas...
Depois de uns dias num lugar você fica com cara de... portuguesa, com certeza!
Este enquadramento, ao todo, envolve cinco igrejas! Andar com fé eu vou!
Diversão garantida pela ruas do centro de Porto!
Solzão em Porto, apesar do friozinho. O melhor bacalhau da viagem, mas longe de ser ideal...
O doce português no tradicional pires português. Achei bom, mas não delicioooooooso.
O rabo do bacalhau: a decepção das decepções... Escrito por Françoise Terzian ?s 17h28 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] VELHO MUNDO II PARIS É INCANSÁVEL. PARIS É INTERMINÁVEL. PARIS É INABALÁVEL. Não importa quantas vezes você já foi para lá. Seu tempo na cidade será sempre insuficiente. Mais algumas imagens do cotidiano parisiense para ver, rever, pensar e sonhar.
É muito boa a sensação de sentar às margens do Sena. E com este solzinho...
Aproximando-se dele...
Um sorriso triunfante por Paris lá mesmo, pertinho do Arco do Triunfo, antes de seguir pela passagem subterrânea que levará ao outro lado da foto.
O Arco do Trifundo por dentro: história e tradição preservadas.
Lindo detalhe de uma das pontes que cortam o Sena... É para admirar sem pressa.
Mais um lindo e reluzente detalhe. Desta vez, da ópera Garnier. A ópera de Paris!
Olha só que lindo este detalhe da construção do Palais Garnier (Ópera de Paris), em estilo neobarroco. Eu sou louca por uma arte!!!
Com a Notre Dame cheia de turistas, o caminho é procurar uma outra igreja, basílica, catedral de Paris. Isso é o que não falta lá. E vou dizer: é uma mais fabulosa que a outra. A de Santo Agostinho, cuja foto eu publico logo abaixo, é encantadora. Grande, bela, acolhedora, seus arcos arredondados remetem, como dizia minha professora de História da Arte, ao abraço de Deus. Foi assim que me senti lá dentro: acolhida!
Église Saint Augustin (Paris)
Esta tela encontra-se em uma das paredes da igreja. Ela representa a morte de forma intensa. Infelizmente, estava muito escuro dentro da igreja e a tela, para piorar, no alto. Tentei por uns 15 minutos fotografá-la com foco, mas não consegui. Aqui uma amostra da tela magnífica. Para ver com perfeição, só ao vivo e em cores.
Outra igreja. Desta vez, a Saint-Sulpice. Ela aparece no filme O Código Da Vinci. É deslumbrante por fora...
... e por dentro.
Os muitos degraus que levam à Sacre Coeur não são nada diante da fé.
Na saída da Basílica de Sacre Coeur, no alto de Montmartre, algo surpreendente: um artista faz sua arte em troca de moedas. Detalhe: na mesma saída, há sete anos, ele estava lá. Com a mesma vestimenta, olhar e movimentos. Tive mais do que um Déjà Vu.
Arte histórica nos azulejos das paredes da estação de metrô da Bastilha! Adoreiiiii.
Olha que cenário feio pra se jogar basquete!
Não muito longe dali, lá no Marais, caminhando sem rumo, me deparo com esta graça do Hotel de Sens!
O Sena é... cintilante!
A foto é a legenda...
O luxo impera em Paris, com sandálias de 1.000 euros e bolsas de quatro dígitos na Champs-Élysées.
Mas o lixo não fica de fora. Roupas por 2, 3 ou 4 euros na bacia de Montmartre...
As doces esculturas da Fauchon. Adoooooooro!
Escrito por Françoise Terzian ?s 21h40 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] VELHO MUNDO PARIS, JE T'AIME! Paris não é simplesmente a capital da França. É a capital dos sonhos realizáveis e, principalmente, dos sonhos impossíveis - a não ser que você seja o rei do petróleo ou uma modelo de beleza estonteante. Tudo lá é superlativo: a moda, a gastronomia, a superioridade artística e histórica, a beleza arquitetônica, o estímulo à cultura, a estética e os tantos cenários de arrancar o fôlego. O passado e o futuro se cruzam a cada esquina. Caminhando sem destino você se descobre dentro de um beco gracioso que te leva a uma vila escondida. Lá, sente-se no paraíso: encontra umas 10 pequenas galerias de arte e algumas residências. Levanta um pouco a cabeça e visualiza uma senhora parisiense mordendo um croissant de amêndoas como se fosse o último alimento do planeta Terra. Fica com água na boca e passa a língua pelos lábios. Ela oferece as migalhas aos pombos e sorrisos à câmera de uma desconhecida que flagra seu ato generoso. Sorri e depois manda beijos. A estrangeira segue sem destino pelas ruas de Paris. Anda, anda e anda até chegar ao Marais, o chamado bairro dos judeus e dos gays. De repente, do nada e sem saber de onde, um violino começa a tocar La Vie en Rose. Sonhadora irremediável que é, pára no meio da rua, senta no meio fio e derrama umas lágrimas de alegria. Promete que irá mais tarde à Notre Dame agradecer a Deus pela oportunidade de estar lá em Paris. Começa a frase em francês e a termina em português. Mas quem se preocupa com idiomas quando se encontra em meio a uma babel de línguas conhecidas e desconhecidas? No Quartier Latin, o bairro mais multicultural e gastronômico de Paris, você encontra muçulmanos, judeus, indianos, franceses, gregos, italianos, japoneses e brasileiros andando e gesticulando para cima e para baixo. Pena que a vida de turista sempre tem fim. Paris nunca é demais. Cada desembarque na Cidade Luz soa como se fosse a primeira vez. A capital que é considerada uma festa por muitos escritores fica mais bela a cada ano. Como um bom vinho, Paris é assim. Quanto mais velha, melhor. No entanto, não dá para se enganar com a rolha, o vidro e a embalagem. Dentro da garrafa parisiense nem todas as uvas são da melhor safra. Não dá para caminhar pelas ruas da cidade apenas com olhos de turista. No dia-a-dia, nem tudo é tão cor-de-rosa quanto parece. A cidade é cara, tão cara, que chega a assustar. A miséria sempre está lá para fazer o contraponto com a beleza e a riqueza. A cada dois quarteirões um mendigo surge no cenário. Quase todos trazem uma plaquinha onde se lê: "por favor, me ajude. tenho fome e preciso sobreviver." Geralmente, um cachorrinho ou coelhinho o acompanha para sensibilizar os pedestres. Os estrangeiros também sofrem com o xenofobismo. Que o diga o marroquino Fuad, cozinheiro de um restaurante típico francês, que agradece a estranha por 15 minutos de conversa à beira do Sena. Os parisienses também reclamam do euro salgado. Alguns te empurram no metrô para passar junto na catraca e evitar o gasto com o bilhete. Paris é linda e rosa. Mas não 24 horas por dia. Os óculos ficam levemente cinzas quando você passa uma flanelinha em suas lentes.
Imponente e encantadora, a Torre Eiffel tem o poder de deixar os visitantes mudos.
Que tal apreciá-la de um ângulo diferente? De baixo para cima e não só de cima para baixo...
Torre Eiffel quentinha para viagem. Quer comer?
Magnífico, lindo, soberano. Assim é o Louvre. Assim também são as pirâmides da época do François Miterrand. A pirâmide maior reflete toda sua beleza na água e te faz enxergar a outra metade inexistente.
Em Paris, eu limpo os vidros da pirâmide com minha jaqueta com todo prazer! Um dos tetos "horrorosos" do Louvre.
Uma aluna de artes plásticas exercitando todo seu talento em uma das alas do Louvre. Para estar lá, ela precisa primeiro pedir autorização ao museu e usar uma tela menor que a do quadro original. Isso vai assegurar que a obra é uma cópia e não a original. Por trás da tela, há uma autorização do Louvre e um atestado de que se trata de uma cópia. Em uma hora, vi duas alunas pintando e três desenhistas. Que grande escola c'est le Louvre!
Gostou?
O parisiense Vincent, autor do blog Louvre Passion, o meu predileto. Ele foi meu guia dentro do museu durante uma hora. Este homem sabe tudo do museu. Visita-o semanalmente e caminha nesta imensidão com 35 mil obras de arte de olhos vendados. Conhece todas as passagens e histórias curiosas de muitas obras. Ele trabalha no mercado financeiro e tem o blog como hobby. Esta é a tela predileta dele. É um retrato de Madame Molé-Reymond, feita pela pintora (sim, uma mulher!) Elisabeth-Louise VIGÉE-LE BRUN, do final do século 18 e início do 19). Quer conhecer? O endereço é: http://louvre-passion.over-blog.com/ Prefeitura de Paris, que os franceses chamam de Mairie. Linda. Na frente tem uma foto da Ingrid Betencourt, prisioneira das FARC, com um contador dos dias em que ela permanece sequestrada.
Uma das mais lindas pontes que cortam o Rio Sena.
Paris ensolarada...
A ponte por baixo. É legal para mostrar a super estrutura. Esta ponte dificilmente cai. Risos.
Olha só o que fazem os franceses endinheirados. Alugam um barco para curtir o Sena sem pressa...
Um típico café parisiense...
A confeitaria francesa é inigualável. Este é um bolo com macarons, o famoso suspiro francês feito a partir de farinha de amêndoas. Uma delícia.
15 minutos de fila para comprar um doce do Pierre Hermé, ex-confeiteiro da Fauchon e dono de uma confeitaria que leva seu nome. Ele é um dos mais badalados confeiteiros de Paris da atualidade.
Gostou do rato de chocolate? Paris tem os chamados "ourives" do chocoloate e do açúcar.
Este é o Lindt Petit Desserts sabor Creme Brulée. Delicioso. Comi inteirinho sem culpa. Só prazer!
A Notre Dame em dia de Pentecostes. Assisti a missa e comunguei. Foi emocionante!
Detalhe da Notre Dame. Linda!
No cemitério Pére Lachaise, um túmulo encantador. A morte e a vida caminham lado a lado.
Túmulo do escritor Oscar Wilde. Vários beijos de batom quebram o clima de cemitério.
Radicado em Paris, o casal mineiro Leonardo e Renata (recém-casados e extremamente fofos) me acompanhou no passeio ao cemitério Pére Lachaise. Ele, um GPS humano, interpretou o mapa confuso do cemitério e nos guiou para os túmulos dos famosos. Detalhe do rapaz que eu só conhecia do blog: ele é neurologista em um hospital de Paris, trabalha com idosos que sofrem do Mal de Alzheimer, e é dono de um blog cujo texto é de cair o queixo. Ele deveria experimentar a aura de Paris e seu talento para escrever um livro. Tomara que siga os meus conselhos! Blog: http://aterceiramargemdosena.blogspot.com/
Caminhar pelas ruas de Paris é como retornar ao passado a cada esquina. Há muitas homenagens aos franceses mortos na guerra. Seja como combatentes ou como civis, a exemplo das crianças desta escola que foram levadas pelos nazistas e morreram nos campos de concentração. Como diz a placa, elas foram levadas injustamente para o extermínimo e jamais serão esquecidas. Trata-se de uma escola primária do Marais, o bairro judeu, como pode-se ver na foto abaixo.
Leitura num fim de tarde à beira do Sena.
A senhora da vila que comeu o croissant, alimentou os pombos e mandou tchau para a turista.
Em frente ao Grand Palais de Paris.
No Louvre, na ala de arte egípcia.
Olha só que fachada legal para um prédio em obras.
Ah imperdível e cara Printemps, rede de roupas, bijoux, entre outras coisas.
Um mendigo em Paris com dois cachorrinhos filhotes.
As deliciosas bicicletas que você pode alugar para percorrer distâncias curtas. A primeira meia hora é grátis. Escrito por Françoise Terzian ?s 00h19 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
![]() | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||