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Blog da Fran sai de férias

Mas retorna em 19 de maio, com fotos e histórias do outro mundo (o velho!)

Com licença que vou arrumar as malas para atravessar esta porta. Na bagagem, Balzac, meu companheiro de viagem. Fiquem bem, estimados leitores. Até a volta, se Deus quiser!



Escrito por Françoise Terzian ?s 01h13
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LITERATURA FRANCESA

Balzac, um dos escritores mais apaixonantes da minha atualidade

 

 

 

Sabe aquele papo de que é o livro que escolhe o leitor e não o contrário? Para ser franca, eu acho que faz todo sentido. Quando ler um livro? Ou melhor, quando permitir que as letras impressas em páginas e páginas de papel entrem para a sua vida, invadam suas entranhas, causem pavor, solidariedade, amor ou repulsa? Faz tempo, muito tempo, que eu esperava para ler um autor que sempre habitou meus pensamentos. No entanto, sempre achei que não havia chegado a hora certa de desvendar Honoré de Balzac (1799-1850). Certos autores – muitos autores, aliás – demandam do leitor uma certa maturidade. Não só maturidade etária ou profissional. Mestres das letras como o admirável e apaixonante Balzac exigem um leitor que já teve o coração destroçado, que já se iludiu e conseqüentemente se desiludiu, um leitor que conhece a existência do mal, mas acredita no triunfo do bem, um leitor que já experimentou dias de sol e de muita chuva. 

 

Agora, aos 33 anos, mais balzaquiana do que nunca, eu acho que finalmente chegou a hora da minha introdução no universo do francês Balzac, morto há 158 anos. Embora o cenário habitado por Balzac em suas histórias tenha morrido com o passado, a riqueza com a qual ele descreve o ser humano não mudou nada nos dias atuais. Balzac revela bem os porões internos da alma de cada homem. Comecei a lê-lo há três dias e estou abismada. No brilhante Ilusões Perdidas, livro que trata do início do jornalismo na França, há um pai tão avarento e um filho tão generoso que chega a despertar no leitor um misto de revolta e piedade.

 

"A ambição e a avareza de Séchard eram tão grandes que para ele não havia pai e filho nos négócios. Via em David apenas o comprador da tipografia, que como todo comprador queria comprar barato - e ele pretendia vender caro. O filho, portanto, era um inimigo a vencer. Aquela transformação de sentiemnto em interesse pessoal, geralmente lenta entre pessoas instruídas, foi rápida e direta no velho Urso." Acho este trecho do livro incrível. Em três linhas, Balzac descreve o pai avarento com tanta profundidade e sentimentos que dá para entender bem porque ele é considerado um dos escritores franceses mais admirados.

 

Talvez Balzac tenha conhecido ou descoberto este pai em alguma de suas inúmeras andanças pelas ruas de Paris, onde seguia pessoas com o intuito de observar seu jeito, atitude e aparência. Ele também tinha o hábito de vagar pelas tumbas ilustres do cemitério Père Lachaise (onde está enterrado) em busca de inspiração. Dizem que Balzac inspirou-se em sua história pessoal para narrar o trajeto dramático de Lucien Chardon, jovem poeta que em 1821 deixa o interior da França rumo a Paris em busca de sucesso. Com o desejo de se tornar escritor e a ilusão de que poderá viver dessa atividade, Lucien se instala na capital com dois originais prontos debaixo do braço, consegue emprego na imprensa diária e descobre que o compromisso com a ética e a verdade não é o forte dos jornalistas. Na França do século 19, a corrupção, as trapaças e as artimanhas políticas e jurídicas comandam o exercício da profissão. Assustador, não? Não para a cabeça de Balzac!



Escrito por Françoise Terzian ?s 01h34
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