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MUSICAL

Miss Saigon: para ver, rever e jamais esquecer

 

 

Acabo de voltar da pré-estréia do musical Miss Saigon, em São Paulo, e posso dizer que a Broadway se mudou para o Teatro Abril. O espetáculo é simplesmente sedutor e inesquecível. A história é forte, já conhecida do grande público – em 1975, à beira da derrota militar e conseqüente retirada americana do Vietnã, o amor une o recruta americano Chris e a jovem vietnamita Kim. Os dois vivem um amor de sonhos até o dia que a embaixada americana em Saigon é invadida por tropas vietnamitas e todos os soldados são evacuados pelo telhado, em helicópteros. Desesperado, Chris é forçado a se separar de sua amada. Sua vida muda para sempre e toma rumos surpreendentes...

 

A montagem apresentada em São Paulo é fantástica. Tudo tem alta qualidade: dos efeitos especiais à iluminação, do figurino ao som, dos cenários deslumbrantes à alta qualidade dos 40 atores, cantores e bailarinos. Isso tudo sem contar uma orquestra com 18 músicos que tocam com maestria a audição dos espectadores.

 

A cena final do primeiro ato parece transportar o espectador para um sonho. É linda, marcante! O segundo ato começa bem e vai impressionando a cada cena. Causa impressões positivas em escala crescente e tira o fôlego do espectador. As seqüências que mostram a retirada dos soldados americanos de Saigon impressionam pelo grau de realidade. E a agilidade com a qual os cenários são trocados? Ulalá!

 

É como assistir várias tomadas de um filme, com a diferença de que tudo é tão real que você até se sente dentro do cenário. Isso é coisa de profissional. Amadorismo é uma palavra que não tem vez neste musical supervisionado pelos americanos – alguns estavam analisando e fazendo anotações no fundo do teatro durante a apresentação.

 

A cena do helicóptero não é só a mais esperada como também é a melhor. Assisti o musical há exatos 10 anos em Nova York, quando um helicóptero e seu barulho ensurdecedor pousavam no palco. Hoje, o que pousa no palco é um grande telão que reproduz um helicóptero em 3D e impressiona muito mais. Ele é tão real que o faz sentir o pouso a alguns metros de você.

 

A protagonista de voz doce também surpreende. Sua beleza delicada e timbre doce de voz seduzem. A surpresa vem na saída do espetáculo, quando você descobre que a sonhadora Kim é interpretada pela ex-integrante do grupo Rouge (Lissah Martins). No quesito musicais, realmente não há know-how que supere o dos americanos.  Quero rever o musical!

 

Curiosidade: Miss Saigon é uma releitura da ópera Madame Butterfly, de Puccini. A diferença é que a trama foi transferida do Japão da Segunda Guerra para a Guerra do Vietnã.



Escrito por Françoise Terzian às 01h23
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